EDO ROCHA, OS DOIS (ARTISTA E ARQUITETO) Conhecido por sua arquitetura, Edo Rocha sempre foi artista. Nem toda gente sabe disso. A culpa talvez seja do sucesso da sua produção arquitetônica, do reconhecimento nacional e internacional, do que é exemplar os prêmios recebidos pelo projeto do Allianz Parque, a melhor arena do mundo, segundo Paul McCartney, eclipsando a produção plástica. Pois Edo Rocha fez muitas exposições, participou da Bienal de São Paulo e algumas edições da antológica mostra, Jovem Arte Contemporânea – JAC-, organizada por Walter Zanini quando diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, verdadeiro oásis de experimentação plástica em meio ao ambiente cinzento patrocinado pelo regime militar. Mesmo com tudo isso, o grande reconhecimento obtido por sua arquitetura terminou levando a prática artística para as horas vagas, cultivado quando de volta do escritório, nos finais de semana, mas nunca isoladamente da arquitetura e nunca, mas nunca como um hobby. As artes visuais e a companhia da música alimentam sua arquitetura e vice-versa. Este é o propósito dessa exposição retrospectiva: iluminar uma carreira desenvolvida em dois territórios fronteiriços, apontando as correspondências e repercussões mútuas de duas linguagens praticadas ao longo de décadas. Desenhos, pinturas, esculturas, fotografias e instalações, ao lado de plantas, maquetes e outras formas de representações de projetos de edificações e projetos urbanos, além de vários depoimentos, lições aprendidas ao longo de um trabalho intenso e ininterrupto, compõem essa exposição, cuidadosamente gestada desde janeiro de 2025. Coerente com a natureza de Edo Rocha, simultaneamente artista e arquiteto, a expografia da exposição, projetada para o desafiador espaço da OCA, de autoria de Oscar Niemeyer, não estabelece hierarquias entre as diversas linguagens e modos de representação, embaralha-as, oferecendo fruições distintas, estimulando a sensibilidade para o enfrentamento de um mundo complexo.